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Por Tatiany Leite

Tendo publicado clássicos como “Ninguém para me acompanhar” e “O engate”, ambos pela Companhia das Letras, Nadine Gordimer é uma escritora conhecida e já ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1991. Com seu livro “Bethoven era 1/16 negro”, a escritora nos mostra uma África do Sul pós-apartheid que, com seus personagens comuns, tenta redescobrir sua própria cultura.

Apesar de ser uma obra de ficção, “Bethoven era 1/16 negro” mostra um lado bem real do país em reconstrução. A escritora nos apresenta, em cada estória, um personagem que se liga diretamente com o cenário em mudança e, mais que tudo, busca por uma identidade. Conhecemos, então, o suposto Frederick Morris, que nos mostra sua profunda raiz com o país; a Solitária  com seu cenário transformador e até a avó frívola, que deixou um conceito de identidade nunca compreendido.

Ao total são 13 contos, que acabam completando um ao outro, dando voz à uma busca por identidade e história que o próprio cenário sofre. Até que chega um momento onde já não se sabe o que é o cenário ou o que é o personagem.

Beethoven era 1/16 negro - Nadine Gordimer [Companhia das Letras]

Escritos em prosa inquieta e precisa, os textos de Beethoven era 1/16 negro perfazem um conjunto que retrata a África do Sul em nova configuração social. Filiação, cor da pele e origem étnica já não são tão determinantes, mas continuam informando as identidades de indivíduos que agora têm a chance de repensar o passado e intuir futuros incertos e promissores.
A nova configuração política do país faz negros, mulatos, imigrantes e mulheres assumirem papéis proeminentes. Até os brancos precisam reinventar uma identidade nesse país “como ele é agora”. Ganham destaque as personagens femininas, que guardam a chave de compreensão dos novos tempos. São elas que parecem mover a atual dinâmica social sul-africana, por meio do casamento e do divórcio, da gestação e do aborto, da meditação sobre o passado e da inserção no mercado de trabalho.
A literatura de Nadine Gordimer é um retrato ficcional do país nesse momento de reinvenção de si mesmo. Como diz o narrador do conto que dá nome a este livro, “houve um tempo em que negros queriam ser brancos, hoje brancos querem ser negros; o segredo é o mesmo”.

O programa Literatura por País – África do Sul é uma realização do Vá Ler um Livro em parceria com a Rocco e a Companhia das Letras.

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Em 24/01/12  |  Outras, Por País, Resenhas