Entrevista com Cristiano Onofre e sorteio do “Câmera Lenta”

Desde cedo envolvido com a literatura e arte marginal (ou independente), Cristiano Onofre, autor de “Câmera lenta”, em visita a São Paulo para o lançamento do mesmo, nos cedeu uma entrevista antes de seu retorno para o Rio de Janeiro.

O livro é formado por contos, o que é ressaltado na contracapa de forma direta “três contos, situações horríveis, personagens reais até demais”. Entre problemas técnicos com gravador e câmera, confiram o que ele dividiu conosco sobre sua vida, seu percurso literário e informações sobre sua publicação:

 

O “Câmera Lenta” é composto por contos; sobre qual assunto eles falam?

O primeiro conto trata sobre a vida de um rapaz chamado Jaime, que acorda após ter ficado 5 anos em coma, vítima de um atropelamento. Junto ao Jaime, existem outros personagens, e cada capítulo é narrado por um deles em primeira pessoa; no decorrer, as histórias e os personagens se cruzam em determinados pontos da narrativa.

Já o segundo, conta a história de um rapaz que volta para se vingar de um abuso sexual que sofreu quando era criança.

O terceiro é relacionado com o primeiro, então se eu contar, estraga um pouco (risos).

 

De onde você tira inspiração para escrever e quais suas influências?

Ah, da vida… por exemplo, hoje enquanto vinha para a entrevista um cara tentou suicídio se jogando no trilho do metrô e ficou tudo parado. Esse é o tipo de coisa que te faz pensar “pô, tem coisa nessa vida que precisa ser relatada”, as particularidades do cotidiano são tão medonhas, cruas e sombrias; é esse tipo de coisa que me inspira a escrever. A inspiração não vem da beleza da vida, vem quando alguma coisa me choca, como hoje, se eu tivesse papel e caneta na mão teria escrito um conto vindo para cá. É mais no fundo do poço que eu encontro vontade de produzir algo, vem da tristeza, da melancolia. Se eu estou feliz, vou aproveitar a vida, não vou ficar escrevendo ou desenhando.

[após a entrevista, Cristiano complementou: No dia eu disse que ainda não tinha escrito nada, mas adivinha só, no momento eu estou escrevendo um texto baseado naquele dia, para você ver como são as coisas. Nunca seguem uma linha certa.]

 

Então, você não costuma andar com um caderno ou bloquinho de anotações?

Eu até deveria me preparar mais para esse tipo de coisa, mas nunca me preparo (risos). Mas quando é uma coisa bem chocante guardo fácil na cabeça, se eu chegar em casa e vier isso a mente, vou escrever sem precisar ter anotado nada. Acho que quando a ideia é boa e te inspira não precisa nem anotar, vai ficar na sua cabeça martelando até o momento de você passar para o papel.

 

Você tem o costume de ler muito, e essa leitura influencia na sua escrita?

A toda hora. Quadrinho, livro, fanzine, jornal, blog… deu para ler, eu leio.

Quanto à influência, claro! E não só livros, mas também filmes, músicas… Comecei a escrever o Câmera lenta depois que comecei a ter mais contato com o cinema coreano; por exemplo, A trilogia da vingança, Oldboy [ambos de Park Chan-Wook]. Coisas assim me trazem inspiração porque aquilo também é arte, né. Tem filmes que são melhores do que muitos livros (sem querer comparar cinema e literatura); quero dizer que a gente é fruto do que a gente leu e viu. Por isso, nem gosto muito de falar “ah, essa é a minha história”, não tem essa, aquilo é o que eu vi, assisti, li, rola uma construção antes disso.

 

Este é seu primeiro livro, certo? Antes dele, você escreveu em outros locais, mídias?

Livro, sim, mas escrevi fanzines desde moleque, publiquei em blogs meus ou coletivos. Esse ano mesmo (ou no fim do ano passado, não lembro) publiquei um zine chamado “Alguns dias na cidade esquecida”, online e gratuito para download. 
Bom, tenho uma banda… comecei com esse negócio de arte com o punk, quando conheci o “faça você mesmo”, eu vi que eu não precisava esperar que surgisse uma banda legal pra ouvir, vi que eu podia fazer uma que eu quisesse ouvir, se queria ler um quadrinho que não existia, não ia esperar alguém criar, eu fazia um quadrinho que me agradasse.

 

Você é professor; qual a sua especialização? Sua profissão colaborou de que forma para a sua entrada na literatura?

Sou professor de literatura, tive formação em letras, e estou terminando a pós-graduação em estudos literários. E isso colaborou do jeito mais controverso possível (risos); quando se está dentro da academia se vê muita gente te dizendo o que é certo, um tanto de cara que fez doutorado e acabou esquecendo a essência de como aquilo funciona, e só fica na regra.

Quando eu era moleque, tive um professor de literatura no ensino fundamental que pegou um dos meus zines e usou na aula como um exemplo “do que não era literatura”, dizendo que não tinha métrica nem nada… Ele me deu inspiração para fazer o que faço hoje, porque como não quero ser aquele tipo de pessoa, quero ser exatamente o contrário, exatamente o que ofende aquele tipo de pessoa. E é isso que eu sou, o cara que vai fazer zine, literatura marginal, publicar livro de forma independente, botar livro na livraria pros outros “roubarem”, quero é chocar esse cara mesmo.

Dentro do universo acadêmico (assim como em qualquer outra esfera) a gente conhece muita gente desse tipo. E essa gama de gente me inspira a provar pra eles mesmos que estão errados e que o senso artístico deles é lamentável, que existe todo um mundo independente/marginal que pode ser muito bem explorado. 


Então, esse professor te serviu como impulso para entrar no mundo literário?

Não exatamente, ele me inspirou a continuar sem precisar ter um padrão. Porque até então eu achava que se eu quisesse ser escritor teria que “ser bom”. Se o cara é professor de literatura vou levar meu trabalho para ele dizer se sou bom ou ruim, e aquilo foi o choque que me fez enxergar que não preciso de alguém graduado dizendo se eu era bom ou ruim. Talvez eu seja, talvez eu não seja, não sei, prefiro fazer algo verdadeiro e ruim a fazer na métrica “corretinho e bom”, porque pra mim não vai ter nada de mim naquilo, vai ser um instrumento de venda, e não é isso que eu sou.

 

Como você começou a se interessar por literatura? Quais livros te pegaram de jeito e você pensou “é isso, quero escrever um também”?
Desde moleque minha família me enfiava gibis por guela abaixo, fui alfabetizado em casa pela minha mãe e desde então, sempre li muitos livros e quadrinhos. Mas a vontade de ser escritor bateu mesmo foi quando eu percebi que podia ser escritor. Quando descobri todo esse universo do d.i.y. dentro do punk, que me mostrou que eu podia publicar zines, que não precisava de uma editora tradicional pra lançar um livro, assinar com uma grande gravadora pra ter uma banda, que não precisava ter um empresário pra organizar um show. 
Depois de interagir com todo esse ambiente autônomo do punk, era óbvio que uma hora ou outra eu ia cair na literatura, que sempre foi o meu fraco (ou forte, sei lá). 

 

Você já fez o lançamento no Rio e em São Paulo, fará em outros lugares?
Pretendo. Todos os lançamentos que estão rolando são produzidos de forma independente por coletivos, ong’s… Geralmente são promovidos por amigos. 
Tem datas já pro nordeste e sul, mas por enquanto não estão sendo divulgadas.
Após terminar o lançamento deste, já tem algum outro projeto para um próximo livro?
Projetos a gente sempre tem né, cada momento do dia surgem ideias para uma coisa nova. Sou meio workaholic do que não presta, sempre estou mentalizando zines, colagens, desenhos, contos… Acho que o dia em que eu parar de pensar nesse tipo de coisa, morro. 
Livro mesmo ainda não, mas estou tendo a honra de produzir um zine novo em parceria com o Kauê Garcia, que é um dos caras mais sinistros da arte punk no Brasil, pelo menos para mim. Vai sair pra download também. 

De que forma você faz a divulgação e venda do Câmera Lenta?
A divulgação é feita praticamente toda pela internet e pelo boca-a-boca. A venda eu faço por correios, ou de mão em mão nos lugares onde vou lançar o livro. Sabe como é, não tenho nem conta em banco, não dá pra formalizar demais a venda. 
Além disso, também uso uma maneira de divulgar/distribuir o livro que, pelo que percebi, acabou se tornando uma assinatura da coisa: deixo algumas cópias escondidas em livrarias de grande porte e comunico o fato pelo meu tumblr/internet, a galera vai lá e “rouba”. 
Esse mês eu estou fechando com a Editora NerdPress, que vai fazer o lançamento da segunda edição do Câmera Lenta, que conta com dois contos a mais que a edição original, fora alguns materiais extras. O preço vai continuar barato e a divulgação marginal, como tem que ser!

 

Para conhecer mais sobre o trabalho de escrita e ilustração do Cristiano Onofre basta acessar seu Tumblr, e aos interessados em adquirir seu livro ou fanzines, o contato é: cristiano_onofre@hotmail.com

 

Como forma de incentivo a literatura marginal, o Vá ler um livro promove o sorteio do “Câmera Lenta” para 3 ganhadores.

Para participar:

+ Basta seguir o @valerumlivro e dar RT na seguinte frase: “Quero ganhar o Câmera Lenta que o @valerumlivro junto com @cristianoonofre estão sorteando! bit.ly/Knu4vn #SorteioLivroMTV “

+ Curtir a nossa Fan Page no Facebook.

 

O sorteio vai até o dia 5 de junho. Boa sorte à todos!!!

FLIP 10 anuncia sua programação – confira!

A 10ª edição da Festa Literária de Paraty, que ocorrerá este ano dos dias 4 a 8 de julho, anunciou sua programação especial. Com homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade, a lista conta com o músico Lenine na abertura e grandes nomes como Carpinejar, Luis Fernando Veríssimo, Enrique Vila-Matas, Ian McEwan, Amardo Freitas Filho e os cartunistas Laerte e Angeli.

Os ingressos começarão a ser vendidos na primeira semana de junho, no Tickets for fun, e custam de R$ 10,00 a R$ 40,00 .

Veja a programação completa: 

Lenine abrirá o eventoQuarta-feira, 4 de julho 

19h – Abertura com Luis Fernando VeríssimoAntonio Cicero e Silviano Santiago, uma sessão dupla abre a décima edição da Flip. Em comemoração aos dez anos do evento, Luis Fernando Verissimo começa a noite falando sobre o valor da literatura, razão de ser da festa. Silviano Santiago e Antonio Cicero fazem em seguida a conferência sobre o autor homenageado da Flip 2012, Carlos Drummond de Andrade, cujo nascimento completa 110 anos em outubro. Do panorama da relação de Drummond com o século XX à leitura detalhada de um de seus poemas, Santiago e Cicero descrevem os traços fundamentais da obra de um dos maiores escritores brasileiros.

21h – Ciranda de Tarituba, Lenine. Vencedor de cinco prêmios do Grammy Latino, o recifense Lenine é a atração principal do show de abertura da Flip 2012. O músico apresenta o show de sua turnê “Chão”, em que toca as músicas de seu novo trabalho e revisita grandes sucessos de sua carreira. Antes da apresentação de Lenine, as festas tradicionais de Paraty serão representadas na abertura da décima Flip pela Ciranda de Tarituba, fundada em 1975 e dedicada aos ritmos e danças da região.

Quinta-feira, 5 de julho 

10h -  Altair Martins, André de Leones, Carlos de Brito e Mello  e mediação João Cezar de Castro Rocha: Três dos mais elogiados jovens escritores brasileiros se reúnem para conversar sobre uma questão comum a eles (e a todos nós). A morte que atravessa os livros de André de Leones, Altair Martins e Carlos de Brito e Mello não é, no entanto, apenas o fato impessoal e difuso à espreita de qualquer um. Pelo contrário, a consciência do fim é algo que se impõe a cada um, como destino individual e inevitável. Daí que escape a clichês fúnebres para se tornar inesperadamente uma força criativa – razão de questionamento existencial e motivo da própria escrita.

11h45 - A leitura no espaço público: Silvia Castrillon e Alexandre Pimentel com mediação de Écio Salles: A Associação Casa Azul, realizadora da Flip, vê a cultura como uma poderosa ferramenta para mudanças profundas no modo como a população faz uso dos espaços urbanos. Por isso, desde 2009, a Flip promove um evento especial para discutir a cidade e suas políticas públicas: a Mesa Zé Kleber, assim batizada em homenagem a uma das mais importantes personalidades de Paraty, que viveu entre 1932 e 1989. Poeta, músico e importante ativista, Zé Kleber sabia como ninguém valorizar as tradições locais e conectá-las com as influências que vinham de fora. Nesta edição comemorativa de 10 anos da Flip, a Mesa Zé Kleber abordará um dos projetos socioeducacionais mais inovadores e celebrados: as bibliotecas-parque da Colômbia. Trata-se de um amplo instrumento de difusão de conhecimento, valorização das identidades locais e inclusão social, cujos resultados são notórios. Além disso, ao proporem a criação de um novo ambiente em áreas desprovidas de investimentos públicos, as bibliotecas-parque cumprem a função igualmente importante de melhorar a estrutura urbana dos locais onde são instaladas.

Para discutir o trinômio políticas públicas, cultura e território, receberemos a bibliotecária e educadora colombiana Silvia Castrillón, cujo trabalho foi fundamental na implantação do sistema nacional de bibliotecas públicas em seu país. Ao seu lado, estará Alexandre Pimentel, diretor da Biblioteca Parque de Manguinhos, na Baixada Fluminense, projeto inaugural de bibliotecas nacionais que têm o modelo colombiano como referência.

Enrique Vila Matas

Enrique Vila Matas

15h - Apenas literatura: Enrique Vila Matas e Alejandro Zambra com mediação de Paulo Roberto Pires: Se tentarmos pensar o que a literatura tem de mais próprio, descontadas as funções educativas ou sociológicas que por vezes lhe atribuem, o que sobra como justificativa do ato às vezes compulsivo de escrita ou leitura? É sobre esse estranho “resto” que conversam o chileno Alejandro Zambra e o catalão Enrique Vila-Matas. Nos livros desses dois escritores, a literatura se dobra sobre si mesma, mas, ao invés de isolar-se, afirma por meio desse movimento reflexivo uma forma peculiar de abertura e hibridismo.

17h15 - Ficção e história: Javier Cercas e Juan Gabriel Vásquez com mediação de Ángel Gurría-Quintana: Ao se voltarem para episódios violentos do passado de seus países, os livros do espanhol Javier Cercas e do colombiano Juan Gabriel Vásquez lançam também uma interrogação crítica ao presente. A história não é aí algo encerrado, que o escritor se limita a registrar num balanço final, mas uma narrativa incompleta da qual a escrita toma parte justamente para mantê-la em aberto. A possibilidade renovada de se contar outra história invalida a uniformidade dos relatos habituais e impõe a tarefa de reavaliação do momento atual.
19h30 - Autoritarismo, passado e presente: Luiz Eduardo Soares e Fernando Gabeira com mediação de Zuenir Ventura: Processos do Ministério Público contra agentes do Estado acusados de tortura e a criação de uma Comissão da Verdade para investigar crimes e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura fizeram com que a sociedade brasileira voltasse a discutir de maneira acirrada um passado que para muitos teria sido oficialmente superado com a promulgação da Lei da Anistia e a redemocratização. O autoritarismo em nosso país, no entanto, não começa em 1964 nem termina em 1985. Luiz Eduardo Soares e Fernando Gabeira discutem nossa tradição autoritária e o modo como ela se manifesta no presente.

Sexta-feira, 6 de julho

10h - Drummond – o poeta moderno: com Antonio C. Secchin e Alcides Villaça e mediação de Flávio Moura : Antes mesmo de sua estreia em livro com Alguma poesia (1930), Carlos Drummond de Andrade é reconhecido e se afirma como um poeta moderno em artigos e poemas publicados em jornais e revistas. Como demonstra, no entanto, sua correspondência com Mário de Andrade, essa modernidade não implica uma adesão irrestrita ao ideário modernista. O que significa, então, ser moderno para Drummond? Alcides Villaça e Antonio Carlos Secchin discutem essa questão abordando tanto os livros mais famosos do poeta quanto escritos praticamente desconhecidos de seus anos de formação.

12h - O mundo de Shakespeare: com Stephen Greenblatt e James Shapiro e mediação de Cassiano Elek Machado: Dois dos maiores estudiosos da obra de William Shakespeare mostram como a obra do escritor inglês ultrapassa o falso dilema entre particularidade histórica e universalidade literária. Nesta conversa sobre as criações de Shakespeare e os mitos que continuam a cercar sua figura, Stephen Greenblatt e James Shapiro discutem como as peças e poesias do autor se vinculam profundamente com as circunstâncias em que foram escritas, ao mesmo tempo que, ainda hoje, continuam a atrair novas leituras, adaptações e controvérsias.

15h - Exílio e flânerie: com Teju Cole e Paloma Vidal e mediação de João Paulo Cuenca: A errância é a figura comum que aproxima as obras de Teju Cole e Paloma Vidal, dois jovens e celebrados autores. Nas caminhadas de personagens à deriva, ou nos desvios digressivos da escrita, Cole e Vidal atualizam e dão novo sentido à relação entre experiência, memória e deslocamento.

Se no começo do século XX o flâneur era o tipo moderno por excelência, circulando pelos novos espaços urbanos, os livros de Cole e Vidal sugerem que em nossa época o movimento dos seres humanos entre países e continentes produz outro tipo de olhar, ligado ao êxodo e ao exílio.
17h15 – Literatura e liberdade: com Adonis e Amin Maalouf e mediação de Alexandra Lucas Coelho: Uma perspectiva moderna e humanista caracteriza o trabalho do sírio Adonis e do libanês Amin Maalouf como escritores e intelectuais. Em ensaios, poemas, estudos históricos ou livros de ficção, esses dois grandes escritores constroem o novo a partir de um olhar original sobre a tradição, em oposição direta ao fundamentalismo que, nas últimas décadas, tem marcado a vida política e cultural de muitos países do mundo árabe. Eles conversam sobre os pontos em comum de suas trajetórias, ambas marcadas pelos conflitos da região, e avaliam as promessas e os riscos do momento atual.

Jonathan Franzen, escritor de obras como "Liberdade" e "As correções". Eleito pela revista literária Granta um dos vinte melhores jovens romancistas americanos.

19h30 - Encontro com Jonathan Franzen e mediação de Ángel Gurría-Quintana: Uma conversa com o escritor norte-americano que tem sido reconhecido como um dos mais incisivos intérpretes dos dilemas da sociedade atual. Autor de ensaios e ficções que colocam com insistência a questão da relevância da escrita e da criação literária no mundo de hoje, Franzen discute sua obra e a repercussão singular de seus livros e ideias no panorama da cultura contemporânea.
Sábado, 7 de julho 
10h - Cidade e democracia com Richard Sennett e Roberto DaMatta e mediação de Guilherme Wisnik: Ao mesmo tempo que mostram o potencial de mobilização dos meios digitais, protestos recentes no mundo árabe e nos países europeus reafirmam a força da rua (e da praça) como palco de manifestação da vontade popular. O espaço urbano pode ser um local de encontro e convivência das diferenças, mas também a expressão mais visível da desigualdade social. A partir dessa contradição, dois dos principais cientistas sociais de nosso tempo, o norte-americano Richard Sennett e o brasileiro Roberto DaMatta, discutem o papel das cidades na vida democrática contemporânea.

Ian McEwan , escritor de obras como "Entre os Lençóis", "O Jardim de Cimento" e "A criança no tempo".

12h – Pelos olhos do outro com Ian McEwan e Jennifer Egan, mediação de Arthur Dapieve: Contra a ideia da imaginação como escapismo, é possível considerá-la uma faculdade que nos permite avaliar e compreender o mundo. Ao explorarem diferentes maneiras de apreender a realidade, por meio do mergulho na consciência de seus personagens, os livros de Ian McEwan e Jennifer Egan revelam que imaginar pode ser um ato de humanização. Ver pelos olhos do outro implica um duplo movimento, de distanciamento da perspectiva individual e tentativa de aproximação do alheio. Mas, em vez de um solo comum, esse esforço pode expor também diferenças inconciliáveis.

15h - Em família com Zuenir Ventura, Dulce Maria Cardoso e João Anzanello Carrascoza, mediação de João Cezar de Castro Rocha: Das tragédias gregas aos romances de Tolstói e Thomas Mann, é longa a tradição literária do tema em torno do qual se reúnem a portuguesa Dulce Maria Cardoso e os brasileiros João Anzanello Carrascoza e Zuenir Ventura. Fechada sobre si mesma, ou permeada pelas tensões que moldam a realidade para além da porta de casa, a vida em família mobiliza afetos dos mais intensos. Mais do que a mera coincidência temática, os três autores reunidos aqui compartilham a sensibilidade para esse espectro de sentimentos elevados ao grau mais alto.
17h – O avesso da pátria com Zoé Valdés e Dany Laferrière, mediação de Alexandra Lucas Coelho: A formação de literaturas nacionais foi parte decisiva da constituição cultural dos países da América Latina, numa aproximação entre a escrita e a pátria que tem seu ápice no século XIX e se desdobra nos diferentes movimentos literários do continente ao longo do século XX. A cubana Zoé Valdés e o haitiano Dany Laferrière mostram que essa relação não perdeu sua atualidade, mas assume hoje novos sentidos. Em vez de participação no processo coletivo de construção nacional, a escrita se torna reação à violência e ao exílio, esforço individual de recuperação de um território perdido.
19h30 - Encontro com J. M. G Le Clézio e mediação de Humberto Werneck: Viagens, memórias e mesmo o delírio conduzem os ensaios e as ficções do francês J.M.G. Le Clézio a uma interrogação vertiginosa sobre os fundamentos daquilo que damos por inevitável em nossas identidades individuais ou coletivas. O ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2008 comenta sua trajetória e os eixos de sua ampla obra, em que a criação narrativa e a reflexão crítica se entrelaçam.
Domingo, 8 de julho 

Fabrício Carpinejar, autor de "Caixa de sapatos" e "Meu Filho, Minha Filha"

10h - Vidas em verso: Jackie Kay e Fabrício Carpinejar com mediação de João Paulo Cuenca:
Nenhuma obra literária pode ser reduzida à biografia de seu autor, mas a criação se faz sempre a partir de um conjunto de leituras, observações e experiências que é inevitavelmente pessoal. Em poemas ou textos em prosa, a escocesa Jackie Kay e o brasileiro Fabrício Carpinejar exploram as ressonâncias entre vida e obra numa via de mão dupla. Ao mesmo tempo que evoca o vivido, o escrito se torna espaço de interrogação e invenção da própria persona do autor. Em vez de espelho da vida, o livro se torna assim mais um espaço no qual ela se cria.

11h45 – A imaginação engajada: Rubens Figueiredo e Francisco Dantas com mediação de João Cezar de Castro Rocha: Os livros de Francisco Dantas e Rubens Figueiredo, dois dos principais escritores brasileiros, mostram que a força crítica da literatura não depende da contenção do estilo nem da imaginação. É por meio da potência do texto, e não de uma adesão mimética ao real, que a obra de ambos estabelece sua relação com o mundo. Dos grandes centros urbanos ao interior rural, Figueiredo e Dantas se apropriam dos cenários habituais do imaginário nacional para desmanchar sua feição familiar, contrapondo aos generalismos do senso comum a concretude singular de suas histórias.
14h30 - Drummond – o poeta presente: Armando Freitas Filho (em vídeo), Eucanaã Ferraz e Carlito Azevedo com mediação de Flávio Moura: Poucos autores parecem tão importantes para pensar o que se escreve hoje na poesia brasileira quanto Carlos Drummond de Andrade. Não é fácil, no entanto, precisar exatamente em que consiste essa importância e de que maneira ela se manifesta. Três poetas brasileiros exploram diferentes possibilidades de resposta a essa questão. Num depoimento em vídeo gravado por Walter Carvalho, Armando Freitas Filho fala de sua relação com Drummond, partindo de uma definição inesperada do poeta mineiro como um autor do Lado B. A mesa segue com uma discussão entre Eucanaã Ferraz e Carlito Azevedo.

16h30 - Entre fronteiras: Gary Shteyngart e Hanif Kureishi com mediação de Ángel Gurría-Quintana : Deslizando habilmente entre os pontos de vista do nativo e do estrangeiro, o norte-americano (nascido na Rússia) Gary Shteyngart e o inglês (filho de pai paquistanês) Hanif Kureishi criaram algumas das mais brilhantes sátiras da ficção contemporânea. Na obra desses dois premiados escritores, a perspectiva de viés, que mesmo ao tomar parte dos acontecimentos é capaz de considerá-los de um ponto de vista ironicamente distanciado, torna-se uma forma de expor ao mesmo tempo as tensões do mundo atual e a histeria vazia dos discursos que habitualmente pretendem descrevê-las.

18h30 - Livro de cabeceira com autores convidados da Flip 2012 leem e comentam trechos de seus livros favoritos.

Alamoorianos, alegrai-vos!

Senhor do Caos, site dedicado ao cultuado mago dos quadrinhos, o roteirista britânico Alan Moore, está de volta depois de um longo e tenebroso inverno. Editado por José Carlos Neves e muito ativo na virada do século, Senhor do Caos reunia um acervo de mais de 180 entrevistas com artistas da FC&F, brasileiros e estrangeiros, além de muitas imagens raras, fotos e ilustrações. Parte desse valioso conteúdo chegou a ser distribuído em forma de um DVD, mas estava indisponível online, por isso sua volta é uma grande notícia.
Renascido em forma de blogue, Senhor do Caos recupera entrevistas exclusivas com cineastas, escritores, desenhistas, artistas gráficos, pesquisadores, músicos e cientistas; além de artigos sobre cinema, quadrinhos, desenho, arte, literatura, ocultismo, ciência e protociência, notícias e muito mais.
O blog, ainda em reconstrução, pode ser visitado em http://alanmooresenhordocaos.wordpress.com/

 

César Silva é resenhista de quadrinhos, e exerceu a profissão durante muitos anos no fanzine Hiperespaço, que foi publicada até 2004. Desde então, tem resenhado mais literatura, no Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, mas mantém uma atividade de divulgação no seu blog.

Velta contra Drácula

O editor independente e quadrinhista Emir Ribeiro divulgou a provável capa da próxima edição especial de sua personagem Velta. Trata-se de Velta contra Drácula que inaugura as comemorações dos 40 anos de criação da loura gigante. A arte, criação do ilustrador Paulo Nery, é apenas a parte frontal de uma imagem que vai se prolongar numa capa dupla.
Ribeiro anunciou que pretende publicar três álbuns em 2012, sendo Velta contra Drácula o primeiro deles.
O segundo volume fará uma homenagem ao Judoka, herói dos quadrinhos brasileiros publicado nos anos 1970 pela Editora Brasil América, e o terceiro volume deverá ser uma antologia com várias histórias, antigas e inéditas.
Cada edição terá 68 páginas e, para financiá-las, Ribeiro está promovendo uma campanha de venda de desenhos originais. Até o dia 31 de julho, quem quiser um original deste que é um dos poucos brasileiros que trabalham para as editoras americanas, poderá encomendar ilustrações de qualquer personagem, no formato A3, por um preço promocional.
Mais informações podem ser obtidas no site do artista, em www.emirribeiro.com.br.

 

César Silva é resenhista de quadrinhos, e exerceu a profissão durante muitos anos no fanzine Hiperespaço, que foi publicada até 2004. Desde então, tem resenhado mais literatura, no Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, mas mantém uma atividade de divulgação no seu blog.

Livros mais vendidos – 2011 (ANL)

A ANL, Associação Nacional de Livrarias, divulgou hoje o Top 10 de livros mais vendidos em 2011:

1 – Ágape
2 – A Cabana
3 – Querido John
4 – Steve Jobs
5 – Porque os homens amam as mulheres poderosas
6 – Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
7 – O Pequeno Príncipe
8 – As Esganadas
9 – Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis
10 – Diário de um banana





The 39 Clues será dirigido por Shawn Levy

Shawn Levy, conhecido por Gigantes de Aço, é o novo diretor da adaptação cinematográfica de The 39 Clues, uma série multimídia escrita pelos maiores autores infanto-juvenis da atualidade.

O primeiro volume da saga, O Labirinto de Ossos, foi escrito por Rick Riordan, autor do best-seller O Ladrão de Raios, que também atuou na formação dos demais livros. Antes de Levy, Brett Ratner e Spielberg já estiveram à frente da adaptação.

Mais de 500 livros para começar a ler agora

Livros à vontade

Quem está sempre conectado sabe que até na internet há dias e dias. Uns em que não se aproveita nada, outros em que basta um link para a nossa alegria. Tive um da segunda categoria, quando o Catraca Livre divulgou uma mina de ouro dentro do site da Universia Brasil: mais de 500 livros para download gratuito. Entre títulos de comunicação, biografia de cineastas e clássicos da literatura, há muita coisa boa.

Um ótimo endereço para perder um tempinho abastecendo o celular, o tablet ou mesmo o computador para deixar aqueles momentos de ociosidade bem temperados. Só para vocês terem ideia, por lá se encontram 13 livros de Fernando Pessoa, A Divina Comédia em português, 40 livros de literatura de Cordel. Quem lê facilmente em inglês, há de se deliciar com quatro títulos de Jane Austen, oito obras de Conan Doyle ou mesmo 15 de Shakespeare, e é só o começo.

Foto do BookPorn.

DC Comics traz Jesus em versão punk

O selo Vertigo da editora de quadrinhos DC Comics, que é voltado para um público mais adulto e temas mais polêmicos, ficou mais conhecido pelo grande público na atualidade após algumas adaptações cinematográficas, entre elas estão “V de Vingança” e “Estrada para Perdição”. Seguindo sua linha de temáticas controversas, a Vertigo anunciou o lançamento da série em HQ “Jesus Punk Rock”.

O enredo, assinado por Sean Murphy (ilustração e roteiro), trará um personagem às avessas quanto a “reencarnação” de Jesus Cristo; Chris não é um garoto comum, ele nasceu por meio da clonagem em um laboratório, mas não de uma pessoa qualquer, trata-se do clone real de Jesus, e ele foi criado para um fim específico: estrelar o reality show J2. Durante a trama, pessoas são selecionadas para conviver e cuidar de Chris; entre elas está Gwen, a nova “Virgem Maria”, e Thomas McKael, um tipo de guarda-costas com passado escabroso para proteger o pequeno Messias.

No decorrer de 6 volumes será mostrado todo o crescimento de Chris, a repercussão que sua imagem causará na sociedade que o assiste, e como ele evolui de um menino que nada sabe do mundo para um adolescente revoltado integrante de uma banda punk.

O lançamento fica para o mês de julho nos EUA, e será toda em preto e branco. Segundo conta Murphy, tem o projeto em pauta há 10 anos, tendo sido recusado anteriormente pela Marvel e até mesmo pela própria DC Comics.

Rock in Rio é inspiração para nova HQ

O Rock in Rio, além de um festival de música, está sempre buscando estender seus horizontes para além do palco. Com a proposta de que unir diversas áreas da comunicação, nasceu a ideia de criar uma HQ inspirada no evento.

Roberto Medina, presidente do festival, foi o idealizador dos quadrinhos; em parceria com 2 quadrinistas espanhóis, Carles Santamaria como roteirista e Pere Pérez como ilustrador, produziram a HQ intitulada “As Aventuras de Rock Rivers”, que vem sendo publicada semanalmente nos jornais El País (Espanha) e Diário de Notícias (Portugal).

O enredo está às voltas de investigações feitas pelo agente secreto Rock Rivers, que está tentando desvendar e acabar com os planos de Hellvansinger, cantor que tem o desejo de acabar com a música na próxima edição do Rock in Rio. O próprio Medina virou personagem da HQ (imagem abaixo), passando informações sobre bandas, e como homenagem ao Brasil, há uma personagem brasileira chamada Ina (imagem abaixo), uma cantora pouco conhecida que é procurada pelo FBI e pela Interpol, sua identidade é um mistério.

As publicações impressas saem apenas na Espanha e em Portugal, por enquanto, e no Brasil podem ser acompanhadas pelo site oficial do Rock in Rio brasileiro, em português e espanhol, com divulgação feita no blog e via twitter. Ao todo, serão 14 semanas até completar a série, no próximo sábado sai o 5º capítulo da série; os capítulos anteriores podem ser vistos abaixo:

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Acompanhe o blog/twitter do Rock in Rio para ver a continuação da trama de Rock Rivers até o final.

Maggie Gyllenhaal e Rhys Ifans são confirmados em As Correções

Maggie Gyllenhaal e Rhys Ifans juntam-se agora ao ator escocês Ewan McGregor, Chris Cooper e Daniel Wiest na adaptação televisiva de ‘As Correções’, premiado romance de Jonathan Franzen, que a HBO produz junto à Scott Rudin.

O roteiro da série foi escrito pelo próprio Franzen em parceria com Noah Baumbach, que também dirigirá o piloto que já está sendo produzido. McGregor interpretará Chip, o filho do meio de um casal do Meio-Oeste americano que se reúne com a família para um último natal. ‘As Correções’, vencedor do National Book Award e do James Tait Black Memorial Prize, acompanha magistralmente a jornada dos personagens desde a infância dos três filhos do casal até sua vida adulta, na virada do século XXI.

Conforme noticiado pelo Daily Mail, o piloto terá duas horas, e, caso as previsões se confirmem e a série seja mesmo adaptada em 2013, deve durar quatro temporadas de dez episódios cada, que adaptariam integralmente o livro de mais de 500 páginas.

 

JJ Abrams produzirá adaptação de nova grande aposta do mercado

O co-criador de Lost e Fringe, JJ Abrams, já definiu um de seus futuros projetos: a adaptação cinematográfica de One Last Thing Before I Go, o próximo romance de Jonathan Tropper que será publicado em agosto. Os direitos de filmagem foram adquiridos em acirrado leilão pela Paramount Pictures, por mais de 1 milhão de dólares.

O próprio Tropper,  que por aqui já teve lançado o livro ‘Tudo Pode Mudar’ (Arqueiro, 2012), roteirizará a obra para o cinema, em adaptação homônima ainda sem previsão de lançamento.

Confira a primeira imagem de Beautiful Creatures

Foi divulgada a primeira imagem da adaptação cinematográfica de Beautiful Creatures (Dezesseis Luas, na tradução nacional). O filme, dirigido por Richard LaGravenese, tem estreia prevista para 1º de fevereiro de 2013.

As filmagens começaram há poucas semanas em New Orleans, Louisiana. Abaixo, é possível conferir a foto, que é estampada por Ethan (interpretado por Alden Ehrenreich) e Lena (Alice Englert).


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